Projeto:
O ensaio “Cairu” (palavra de origem tupi, que significa “Casa do Sol”
ou “Árvore de folhas escuras”) propõe uma reflexão sobre a margem, o
limiar: esse espaço lacunar onde é possível experimentar outras realidades e
modos de existência.
Em 2021 deixei a cidade e passei a viver em uma van,
acompanhado apenas do meu cachorro Cairu. A vida nômade e isolada teve um
impacto profundo em mim. Estar constantemente diante de uma paisagem diferente,
sentindo novas temperaturas e cheiros, provoca não apenas um deslocamento
físico, mas, sobretudo, psicológico.
Neste ensaio reúno personagens que vivenciaram esse tipo de
deslocamento da consciência — um estado em que a percepção do mundo se expande
e se aprofunda. Fronteiras implodem e uma visão primordial nos afasta da vida
cotidiana. Somos transportados para outra dimensão da realidade e, ao mesmo
tempo, de nós mesmos.
“Cairu” levanta a jornada interior como força de
transformação individual e coletiva, buscando o reconhecimento do sagrado na
natureza. Assim, propõe um retorno essencial às cosmovisões, aos conhecimentos
e às mitologias dos povos ancestrais.